Popper versus Bacon
Bacon parece dizer que existe uma realidade natural, que pode ser alcançada por seu método, a menos que seja impedido pela ação humana.
Conforme vimos, Popper colocou-se contra a concepção indutiva da ciência, contida no método proposto por Bacon, e que permanecia influente ainda quando do surgimento de Einstein.
Por outro lado, parece colocar todas as suas forças no combate aos ídolos, chegando ao ponto de propor uma "epistemologia sem sujeito conhecedor". Combatendo talvez contra os ídolos da caverna, via a eliminação do que chamou de "psicologismo" como necessária para a análise da atividade do cientista, que consiste apenas "em propor as teorias e em testá-las" (Popper, 1980, p.6). (...)
Popper parece também se rebelar contra os ídolos da praça, na forma da linguagem e do uso que fazemos das palavras. Taxativamente, declara que "questões do tipo 'O que é...?' são propensas a degenerar em verbalismo
numa discussão sobre o significado de palavras ou conceitos, ou numa discussão de deftnições. Mas, ao contrário daquilo em que amplamente se acredita, tais definições e discussões são inúteis"
Ele ainda declara que tais questões são ligadas à idéia das essências, que vê como equivocada. Pensamos que esta posição de Popper é coerente com sua atitude diante da descoberta: ele nega a importância de algo que lhe parece difícil de ser discutido - se a realidade não se adapta às regras, pior para a realidade. No entanto, a fuga à discussão sobre o significado das palavras é que pode levar ao essencialismo.
Extraído deSAIANI, Cláudio. O valor do conhecimento tácito:a epistemologia de Michael Polanyi na escola. São Paulo: Coleção Ensaios Transversais, 2004.Sugestão de participante do Workshop Conhecimento Tácito coordenado por Sérgio Lins

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